“A publicidade é uma actividade profissional, dedicada apenas à difusão pública de ideias que estão geralmente associadas a produtos, serviços ou a empresas.” A sobrevivência e efeito deste meio de comunicação, é bem sucedido apenas, com uma grande repetição. Isto é, quanto mais se repetir determinado anúncio, maior será a probabilidade de uma pessoa o ver, memorizar e posteriormente recordá-lo.
Os anúncios televisivos tradicionais, apresentam certas lacunas no seu efeito, tendo em conta as novas tecnologias existentes. Tal como já referi numa publicação anterior, a facilidade de gravação dos programas televisivos, e da total interactividade inerente a esses serviços por cabo, permitem um corte na recepção de publicidade ao público, não facilitando a comunicação entre a empresa e o espectador.
Em 1926 nos EUA, foi criado o primeiro meio que vinha a reflectir uma nova geração de anúncios, o Jingle. Foi na década de 50, que este teve a maior adesão publicitária paralelamente ao boom económico. O Jingle é uma mensagem publicitária musical, elaborada com uma melodia cativante e um refrão simples de curta duração para ser relembrado com facilidade. Quanto mais eficiente for, mais facilmente irá “prender” a memória das pessoas, sendo comum que estas se lembrem de alguns Jingles que foram transmitidos há décadas. Este meio poderá ser transmitido na televisão, ou rádio, onde tem ainda mais efeito.
Primeiro anúncio
Anúncio complementar
Anúncio de Natal
Com o slogan “Aqui os preços são sempre baixos. Na loja toda o ano inteiro”, o Pingo Doce decidiu estabelecer esta nova forma de comunicação. Através de uma melodia que quase automaticamente fica memorizada nas nossas mentes, levando o público a trautear melodia e letra, a recepção desta não foi a esperada. Devido a uma agressiva repetição do anúncio, e saturação do mesmo, as reacções começaram a ser negativas, mas ainda assim, o efeito de marketing viral estabeleceu-se. Ou seja, o anúncio passou a ser, comentado, criticado e discutido em grupo, mas nunca pelas melhores razões. Após a interpretação desses resultados, a estratégia foi alterada. Tenhamos em atenção os exemplos seguintes:
Anúncio Natal 2010
Anúncio "0 aumento de IVA"
A publicidade mais recente de natal, tal como se verifica, revela um apelo ao sentimento por parte dos espectadores, principalmente das famílias que também têm filhos. Numa interpretação mais profunda o objectivo é, que os espectadores sintam o que os “pais” das crianças da peça de natal sentem ao ver os “filhos”, estabelecendo assim uma ligação positiva. No segundo anúncio, para além da alteração da melodia e da letra, mantendo o slogan, aposta numa preocupação do público geral, a subida do IVA e do preço dos produtos de consumo diário, tentando “despreocupar” o público por não haver alterações dos preços na entidade em questão. Este anúncio veio a público no primeiro dia do ano 2011.
Algumas questões que deixo hoje para reflexão:
- Embora de forma negativa, terá o Pingo Doce alcançado o que pretendia com o seu Jingle? Notoriedade?
- A mudança foi essencial depois da captação de atenção do público com o primeiro Jingle?
- Poderá o anúncio “0 aumento de IVA” ser considerado publicidade enganosa?